A crise na Venezuela reacendeu atritos entre Brasil e Estados Unidos, gerando preocupações sobre o andamento das negociações para reduzir o chamado tarifaço, pacote de sanções e sobretaxas americanas sobre produtos brasileiros desde agosto.
Durante discurso no congresso do PCdoB em Brasília, nesta quinta-feira (16), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que “o povo venezuelano é dono de seu destino” e criticou ingerências estrangeiras, sem citar diretamente o presidente americano Donald Trump, afirmando que “nenhum outro chefe de Estado tem que dar palpite sobre como deve ser a Venezuela ou Cuba”.
Nos últimos dias, os Estados Unidos intensificaram sua presença militar no Caribe, autorizando operações secretas da CIA na Venezuela e enviando navios de guerra à costa do país. Caracas reagiu colocando tropas em alerta e convocando civis para treinamentos militares. O presidente Nicolás Maduro acusou Trump de tentar promover mudança de regime para se apropriar do petróleo venezuelano, mas afirmou que não deseja guerra na região.
No Brasil, auxiliares do Planalto veem a escalada da crise como uma ameaça às negociações comerciais. O governo brasileiro pretende argumentar em eventual encontro com Trump que ações militares na Venezuela desestabilizariam a região e fortaleceriam o crime organizado.
O chanceler Mauro Vieira destacou que a reunião desta quinta com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, foi “ótima e produtiva”, mantendo o espírito de cooperação iniciado após o contato entre Lula e Trump durante a Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, no final de setembro.
A expectativa do governo brasileiro é que Lula e Trump se encontrem até o fim do ano, possivelmente na Malásia, durante o encontro da ASEAN, nos dias 26 e 27 de outubro, ou na Cúpula das Américas, em dezembro, na República Dominicana, para avançar na normalização das relações comerciais.
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