A Câmara Municipal de Goiânia aprovou, por unanimidade, na terça-feira (7), um requerimento da vereadora Kátia Maria (PT) solicitando ao Ministério da Saúde dados oficiais sobre os repasses federais destinados ao estado de Goiás. A iniciativa visa esclarecer as alegações do governador Ronaldo Caiado (União Brasil), que acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) contra a União, alegando falhas na transferência de recursos para a saúde estadual.
Segundo o texto aprovado, o objetivo é garantir transparência e assegurar à população o acesso a informações oficiais sobre a execução financeira dos recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) em Goiás. A proposta contou com apoio integral dos parlamentares presentes.
“Apresentamos o requerimento para que o Ministério da Saúde nos envie dados oficiais e possamos confrontar com as informações apresentadas pelo governador, esclarecendo para a população o que de fato está acontecendo na saúde”, explicou Kátia Maria, vice-presidente da Comissão de Saúde e Assistência Social da Câmara.
Durante discurso, a vereadora criticou a postura de Caiado, afirmando que o governador tenta transferir responsabilidades à União. “Ele terceirizou as unidades de saúde do estado e agora quer transferir a culpa pela sua má gestão. A responsabilidade é dele, mas ele quer colocar no colo do Governo Federal”, afirmou.
Kátia ainda associou a ação de Caiado a uma estratégia política-eleitoral, apontando que o governador estaria usando a pauta da saúde em função de sua pré-candidatura à Presidência da República. “Ele pode fazer sua pré-campanha, mas não pode se descuidar do estado de Goiás, que enfrenta sérios problemas diários”, destacou a vereadora.
O Ministério da Saúde respondeu que os repasses seguem critérios técnicos e legais e que os valores destinados a Goiás cresceram nos últimos anos, principalmente nas áreas de Média e Alta Complexidade (MAC) e Atenção Primária à Saúde (APS). Entre 2022 e 2024, os recursos do Teto MAC aumentaram 19%, passando de R$ 352,8 milhões para R$ 419,8 milhões, com adições que totalizam R$ 566,1 milhões em 2024. Na APS, o crescimento previsto para 2025 é de 56% em relação a 2022, chegando a R$ 1,7 bilhão.
Apesar desses números, Caiado manteve a ação no STF, alegando prejuízo de R$ 1,2 bilhão à saúde de Goiás em três anos e questionando critérios de distribuição de recursos. O governador também destacou a redução da participação da União no custeio da saúde estadual ao longo das últimas décadas, de 52% em 2002 para 40% atualmente.
O embate entre o governo estadual e federal agora segue sob análise do STF, enquanto a Câmara de Goiânia promete acompanhar o caso de perto e cobrar transparência total na execução financeira da saúde pública. O tema ganha destaque na política local, misturando gestão, disputas judiciais e estratégias eleitorais.
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